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Palmeiras é o filho mal criado que voltou para casa

Por Nathalia Guarezi

O bom filho a casa torna. A frase que estampou a camisa do Palmeiras no jogo de estreia do novo Allianz Parque é mentirosa. Na derrota por dois gols contra o Sport, o amontoado de ruindade que vestiu a camisa alviverde comprovou, mais uma vez, que não respeita a grandeza do clube centenário.

Especificamente nos últimos dois anos, na gestão do nobre presidente, o Palmeiras se tornou o filho mal criado. O filho que recebeu a pior educação, os mais precários recursos para se desenvolver e ganhar o mundo de novo e que por tudo isso perdeu o direito de sonhar com dias melhores.

De dentro do gramado, o filho alviverde não recebeu bem o seu torcedor. Nós, da arquibancada, sabíamos que a vitória viria só por um milagre de jesus do futebol. Mas, aparentemente, nem ele tem compaixão pelo Palmeiras. Afinal, como ajudar um time cujo elenco é limitadíssimo e o técnico não colabora?

Falando sobre a nova casa, fiquei impressionada com sua enormidade, com o ótimo sistema de som, a iluminação espetacular e a acústica sensacional que arrepia. Enfim, a inauguração do Allianz Parque teve muitos pontos positivos no mundo paralelo ao jogo disputado. A proximidade do setor em que eu estava (gol norte) com o gramado impressionou também.

Problema para alguns, a organização dos lugares do Gol Norte me surpreendeu. Poucos ficaram no lugar reservado no momento da compra do ingresso, o que pra mim não foi problema, e poucos ficaram sentados durante a partida. Quem buscou orientação com os monitores do estádio precisou ter paciência. Eu mesma tive dificuldade de encontrar o setor 114A, porque a placa de identificação apontava para um lado da arquibancada. Quando cheguei no local, o monitor disse que o setor era exatamente do lado oposto. Então, reclamei para o senhor sobre a placa de localização e ele apenas respondeu: “eu vou arrancar a placa de lá”.

Acomodada numa das apertadas fileiras, olhava para todos os cantos do estádio a fim de fazer comparações com o saudoso Parque Antártica. De início, a torcida cantava meio sem ritmo, meio desengonçada como se tentasse encontrar a melhor melodia.

Primeiro Bandeirão no Allianz Parque

Depois, quando conseguimos soltar a voz em coro, cantamos a plenos pulmões. Cantamos com a alma. Nesse momento, enfim, senti que havia sido batizada na nova casa.

De tudo, o que mais senti falta foi de espaço. Espaço para torcer. Torcer como sempre fiz, correndo pela bancada, ajoelhando para fazer prece a San Gennaro e andando em busca do abraço dos meus amigos. Senti falta de espaço para apontar as mãos para o gramado com a intenção de intimidar o juiz. Espaço para correr até a grade para xingar o perna de pau que desonra o manto alviverde.

As fileiras e as cadeiras me impedem de torcer do jeito que eu mais gosto. O nobre presidente me impede de ficar em paz com o time que formou meu caráter no futebol. Pela grandeza do clube, pela paixão que move mais de 15 milhões de pessoas e pela raiva dos “fãs” que comemoram os milhões da renda do jogo.

Por tudo isso que não vamos desistir do Palmeiras. Nós somos o Palmeiras. Mesmo que continuem nos tirando o direito de sonhar, ainda assim seremos Palmeiras.

Viva, Palmeiras!

Fotos: Arquivo pessoal


Palmeiras: seja-bem vindo de volta

Por Nathalia Guarezi

Depois de quatro anos, a torcida alviverde está ansiosa para vibrar novamente nas arquibancadas de casa. Antes, porém, vamos reiniciar o ritual de andar pelas imediações do estádio e abraçar os amigos palmeirenses na calçada de casa. Nossa casa.

É bem verdade que o time ainda briga para se manter na primeira divisão. É bem verdade que o elenco é fraco, o treineiro é ruim e o presidente me mata de vergonha. Por todos esses fatores que o jogo desta quarta-feira, contra o Sport, tem tudo para ser épico em vários níveis. Pela disputa entre os times, que há alguns anos fazem jogos acirrados, pela necessidade dos três pontos para respirar na tabela do Brasileirão, e (talvez o principal para vários torcedores) pela inauguração do Allianz Parque.

Dito tudo isto, o fato é que na partida de hoje o Palmeiras tem duas opções: ganhar ou ganhar. Assim como aconteceu nos últimos jogos, não há dúvida de que o torcedor vai incentivar o time em todos os segundos desta noite memorável. Inclusive, vamos dividir os momentos entre gritos de amor, cornetagem e lágrimas de emoção. O drama alviverde será ainda mais intenso na velha-nova casa.

Independente da tensão alviverde, eu gostaria que antes, durante ou depois dos 90 minutos, o Palmeiras e seu apaixonado torcedor olhasse para todos os cantos de sua casa, arquibancadas e gramado, e finalmente diga em alto e bom som: voltamos.Que esse seja o início de mais um episódio glorioso na história do Palmeiras.

Hoje, vamos matar a saudade, reverenciar o Parque Antarctica e celebrar o Allianz Parque.

Viva, Palmeiras!

Foto: Marcos Ribolli


O retorno!

Por Alana Santos

Não, nunca achamos que seria fácil.

Ter um filho, acompanhar seu crescimento e vê-lo chegar à idade adulta é uma tarefa árdua e cansativa, que exige dedicação, paciência e muito amor. E quando a criação desse filho é compartilhada, como no caso do De Chaleira, por três mães malucas e desvairadas, isso se torna mais complexo.

O De Chaleira veio sem muita programação, e, foi com um jeitinho torto, com ideias e comportamentos distintos, que demos cara a nossa “Chaleirina” e a tornamos tão plural e encantadora.

Como somos marinheiras de primeira viagem, cometemos algumas falhas (com o intuito de acertar), e acreditamos que o amor pelo futebol de três recém-formadas seria suficiente. Entre rebaixamentos, derrotas para o Tolima e os oito gols do Barcelona, decidimos que o melhor a fazer é levantar a cabeça e seguir em frente.

Para o azar de vocês, a gente vai voltar. E agora, com muito mais amor (esse que nunca morreu) e textos (assim esperamos).

Valeu follows!

(A foto tá ruim, mas é de coração!)


“Às vezes um drible bonito é mais bonito que um gol”

Por Alana Santos

A frase que dá título ao post é do jogador Dener, e foi dita na época que ele jogava no Vasco. Nessa época, eu não entendia o que era o Dener, tão pouco o que ele estava fazendo no futebol, mas tinha o menino magrelo como um jogador legal e que fazia um monte de gol.

Em 93, eu tinha quatro anos e assistia ao jogo entre Portuguesa e Santos sob comando – à distancia – do meu pai, já que ele trabalha e eu tinha a missão de descrever todos os lances quando ele chegava. Durante o jogo, o narrador exaltava o talento do jogador Dener e falava que o “neguinho” de bigode ralo e canela fina, tinha talento à rodo.

Era um dia normal e parecia só mais um jogo do Campeonato Paulista. Mas nesse dia  o Santos perdeu a partida, o Dener fez um gol lindo de viver (RIP Hebe) e marcou a minha primeira memória futebolística.

Lembro que ele recebeu a bola no meio do campo, girou rápido, driblou,  e com um arranque perfeito passou por dois jogadores, pelo goleiro e fez o gol.

O lance parece curto e sucinto, até porque eu não sou a melhor narradora do mundo, mas o Dener não precisou de narrador para fazer o gol e muito menos,  para tornar sua breve carreira grandiosa e lembrada até hoje.

“Dener me disse que depois do jogo o Maradona foi falar com ele. “Fala para aquele pretinho esperar que quero cumprimentá-lo no final” - Edinho, ex-goleiro do Santos

“Achava que ele ia ser o suprassumo. Sempre deixando o Pelé de lado, porque o Pelé era um ET, achava que Dener ia ser algo logo abaixo do Pelé. Era um superdotado, como o Neymar, que conheci no dente de leite. O Dener era desse nível. Mais rápido ainda que o Neymar” - Pepe, ex-jogador do Santos e ex-treinador da Portuguesa

“Então falei: que se dane o Santos, que se dane o Silva, eles vão me perdoar, porque quero que fique perpetuado esse lance. Deixei passar e foi um gol que entrou para a história” - Oscar Roberto de Godói, árbitro da partida entre Portuguesa e Santos

E muitos anos depois, eu pude entender que às vezes o gol do adversário é tão lindo quanto um gol da gente.


11 anos de #PedalaRobinho

Era domingo, e eu lembro que logo pela manhã um vizinho corintiano passou em frente a minha casa e gritou “Vai curintia”. Para a santista de 13 anos, que não sabia o que era título e só tinha um visto um porco campeonato Rio-SP em 97, essa zoeira era comum, mas particularmente assustadora.

Eu tinha meia dúzia de lembranças da época da fila, mas nesse dia, a final do Paulista de 2001 contra o Corinthians e alguns flashes de 95,  me atormentaram o tempo todo.

Meu pai, um dos dois santistas da rua lestiana, tinha apostado carne e cerveja com pelo menos uns quatro corintianos e, convicto da vitória, dizia: “Esse ano é do Santos, filha. Vai dar certo!”. O Santos tinha vencido o primeiro jogo por 2 x 0 e os torcedores deveriam estar mais confiantes, mas para a torcida que cantava “Parabéns” para cada aniversário de “Fila”, que já durava 18 anos, não era tão simples assim.

O jogo começa e aos 37 do 1º tempo, Robinho, a estrela do time, o “neguinho” magrelo com uma camisa muito maior que seu corpo, resolveu pedalar. E não satisfeito em tirar o Santos da maior draga de títulos de sua história com uma excelente campanha, ele fez em grande estilo e pedalou. Pedalou não um ou duas, pedalou OITO VEZES e gol de pênalti para o Santos.

Sim, o Rogério deve sonhar com isso até hoje!

E quando tudo parecia caminhar bem, o Deivid empatou aos 30 e o depois Anderson fez mais um aos 39 do 2º tempo, ambos gols de cabeça. Lembro dos vizinhos gritando “Cadê Robinho? Cadê Diego?” e da angústia que eu sentia.

Com dois gols e sem o Diego, que estava machucado, o desespero tinha tomava conta e nem um goleiro confiante, que chamava para si a responsabilidade, que olhava pra torcida e dizia ao seu modo, que tudo ia dar certo porque ele estava ali para garantir que tudo daria certo, me acalmou.

Não me lembro do gol do Elano, aos 43 do 2º tempo, mesmo forçando a memória só consigo ter em mente a gritaria na rua e mudança do placar na TV. E no gol do Léo, aos 47 do 2º tempo, lembro do frio na barriga e de uma cena confusa com rebote, Robinho, Vampeta, drible, Doni e GOL.

Apenas gritos, gritos e o fim de um fila de 18 anos.

Lembrei do meu pai, que estava trabalhando nesse dia, e tentei ligar para ele, mas não foi possível. Ele havia apostado uma garrafa de whisky 18 anos com seu patrão corintiano e já tinha saído do restaurante.

Nesse dia, meu pai quebrou garrafas de bebida enquanto atendia um cliente, uma pilha de pratos no gol do Léo, ganhou o whisky, veio para casa com uma taxista santista tão bêbado quanto ele e chegou em casa às 2h da manhã gritando “É CAMPEÃO!”, com duas barras de chocolate branco para mim, já que eu não bebia nessa época.

Fábio Costa, Maurinho, André Luís, Alex, Léo, Paulo Almeida, Renato, Elano, Diego, Robert, Michel, Robinho, William, Alexandre, Leão e todos que contribuíram, ainda que de forma indireta para o título (Vai Corinthians!), obrigada!

SANTOS, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2002!

 


Vem logo, Palmeiras!

Hoje é um dia especial. Depois de sofrer todas as humilhações da Série B, desde um técnico sonso a erros grotescos da arbitragem, passando por demonstrações exageradas de amor e ódio dos torcedores, finalmente chegamos ao dia em que o Palmeiras poderá dizer: SUBIMOS.

Sim, hoje, sábado de sol (sem alugar caminhões), o Verdão precisa apenas de um empate para selar o acesso à primeira divisão. A casa estará lotada. Mais de 30 mil porquinhos exaltando de diversas formas o amor alviverde. Amor que suportou os jogos intermináveis da Segundona. Amor que aguentou todas as limitações.

Amor que encheu o Pacaembu tantas vezes e fez o estádio transbordar. Amor que acolheu o time pelas cidades Brasil à fora. Amor que fez nosso coração quase infartar para chegar até aqui.

Não é o fim do campeonato. Mas será o fim do meu sofrimento nessa competição que deixa a gente calejado. Será o fim desse martírio (dê o nome que quiser). E será o começo do nossos desabafos, os quais deixarei para fazer em outra oportunidade, logo menos.

Por isso, antes de o jogo começar, faço um apelo ao torcedor:

Palmeirense, comemore como quiser. Vibre como quiser. Exalte o retorno à primeira divisão como bem entender. Mas não deixe de abraçar o Palmeiras. Não esqueça sua grandiosidade centenária. Não brigue para impor seu amor.

Apenas ame.


Quando chega a hora do jogador se aposentar…

O tempo é ingrato com todos, em especial com as mulheres (#chateada) e com os atletas. Mesmo com o avanço da medicina, ainda não criaram cremes que escondam o “enrugar” das mãos e muito menos, vitaminas que mantenham a velocidade e o reflexo de um jogador de 40 anos.

Temos dois exemplos de jogadores que já deviam ter se aposentado: Rogério Ceni (40) do São Paulo, e o Léo Bastos (38) do Santos. Pelo menos nos últimos dois anos, os atletas já não apresentam o mesmo desempenho e a sequencia de erros já começa a despertar a irritação por torcida.

É claro que existem as exceções. Os jogadores Seedforf (Botafogo), Dida e Zé Roberto (Grêmio), pelo menos na minha opinião, mantem bom desempenho mesmo com algumas limitações da idade. Não podemos descartar que cada corpo é um corpo, que alguns atletas sofrem lesões, que a alimentação e fatores genéticos influenciam, mas o atleta precisa respeitar esses limites e entender que em algum momento deve parar, até por amor ao clube.

Jogadores como o Léo e o Ceni já conquistaram espaço no coração dos torcedores e já tiveram sua história escrita, e sinceramente, NÃO TEM NECESSIDADE permanecer jogando e prejudicando o clube.

Outra coisa que me incomoda, nos dois casos, são os medalhões que atrapalham a evolução de novos jogadores, ditam regras e quando se deparam com técnicos conservadores, ganham mais respaldo para permanecer.

O retranqueiro Muricy, foi último técnico do Santos e é o atual do São Paulo. Em sua estadia na Vila, manteve o jogador Léo mesmo com os constantes erros e não utilizou jogadores da base (ensaiando assim a morte no DNA SANTISTA) sob a alcunha de que o Léo era TITULAR ABSOLUTO. Já no São Paulo, tudo indica que o Ceni deve se aposentar no fim do ano e já surgiram alguns boatos sobre a contratação do Cavalieri, mas para um time que briga para não ser rebaixado e que na mesma semana tomou gol do Léo e do Juan, a fase é muito preocupante.

São Marcos foi um bom exemplo. Parou quando sentiu que sua permanência poderia prejudicar o clube, respeitou os limites do corpo já que sofria com lesões e dores, e pode assim evitar o desgaste com a torcida e permaneceu ídolo.

Senhores, por amor e respeito ao clube, parem!

Foto: Instagram Rádio Santista


Uma santista entre os palestrinos – parte II

E mais uma vez fui ao Pacaembu para acompanhar os amigos da “torcida que canta e vibra”.

No ano passado, registrei aqui no De Chaleira minha ida ao jogo do Palmeiras e, no texto Uma santista entre os palestrinos, contei parte do calvário pré-série B.

No jogo contra o Bragantino (02/08), a torcida não lembrava em nada a do ano anterior. Todo tormento havia se transformado em alegria e principalmente em confiança. Em todo percurso não mais avistei torcedores cornetando o clube da mesma forma do ano passado, toda a dificuldade do rebaixamento e da troca de membros da diretoria, parecia ser passado.

A sensação é que o jogo era uma grande festa do clube, cheia de torcedores animados, que estavam lá para cantar e apoiar o clube. Infelizmente, não consegui ver a homenagem aos 40 anos do lindo do Marcos, mas o jogo foi bonito e eu concretizei minha fama de pé-quente trazendo mais uma vitória para o time.

Assisti ao jogo com o Diego, um torcedor moderado para os padrões palmeirenses. O moço reclamou pouco e só se mostrou apreensivo quando a bola estava próxima ao Wesley. Sim, eu disse “próxima” e não “com”.

Esse fato é até curioso, já que parte da torcida demonstrava o mesmo desespero. Eu considerava o ex-santista um bom jogador, mas depois desse dia confesso que fiquei confusa.

E o Valdívia? Continua bom de bola, um craque de encher os olhos e se mostrou muito comportado, mesmo apanhando o jogo inteiro. Se tudo permanecer como está anotem aí “Teremos trabalho com o chileno no ano que vem!”.

E assim como no jogo do ano passado, mais uma criança palestrina mitou…..

Na subida do cemitério, uma família à minha frente discutia o comportamento dos parentes corintianos e de uma discussão que havia ocorrido entre os pequenos torcedores dos dois times. O pequeno palestrino, de aproximadamente oito anos, ouviu as queixas do pai e disse “Pai, eu não ligo quando ele fica zuando meu time, mas ele tem que respeitar o Palmeiras, assim como eu respeito o Corinthians. Não torço, não gosto, mas sei q o time é grande e merece respeito!”

Apenas que: CRIANÇAS SÃO MELHORES EM TUDO!

E mais uma vez saí do estádio com vontade de cantar “Meu coração é alvinegro e bate forte por você. Santos, você é minha vida, eu te amarei até morrer!!!”

Foto destacada: Lance Net

Foto post: Alana Santos


Nosso mundo paralelo

Vira e mexe alguém fala muito bem sobre ela. Culpa da tal mística, magia, encanto ou qualquer sensação parecida. Tudo isso a gente recebe como presente quando chega perto dela. Quando começa a descobrir sua personalidade. Quando é acometido pela energia que inunda seus arredores.

Depois de tanto tentar, finalmente, a Marina Uezima conseguiu me carregar para a Rua Javari. Eu poderia falar aqui sobre a não qualidade técnica da partida, dos erros da arbitragem, do time do Juventus, do Joseense, da Copa Paulista etc. Mas outro fato me chamou a atenção no Estádio Conde Rodolfo Crespi. 

O futebol, ali, vive em outra dimensão. Desde o apito inicial até o término do jogo, estive num mundo paralelo. Antes mesmo de o jogo começar, aliás, fui hipnotizada pela cantoria da torcida do Juventus. Uma das músicas, com três frases, grudou na minha cabeça em apenas 3 minutos. E jamais serei curada, suponho.

Nesse mundo paralelo, raras vezes olhava para o gramado para acompanhar a partida. Porém, logo nos primeiros minutos de jogo, me vi xingando a arbitragem pelos seguidos impedimentos sinalizados pelo bandeira. O coitado, inclusive, foi xingado sem parar, pelo menos, durante os 45 minutos do primeiro tempo.

Ainda na primeira etapa, escutei apenas uma vez a torcida gritar ‘filho da puta’ para o goleiro adversário. Demorei a perceber que o arqueiro evitava cobrar o tiro de meta. Mas ainda assim, ele não foi esquecido pelos torcedores. O camisa 12 recebeu ao pé do ouvido diversos elogios carinhosos. Um deles merece destaque. Sem dó, vários torcedores se revezavam no alambrado para provocar o goleiro:

“Até quando você vai aguentar essa vida de goleiro do Joseense?”


A pergunta, obviamente, foi dita em tom de ironia como forma de provocação. Mas ela diz muito sobre nossa paixão pelo melhor esporte possível desse mundo. Vivemos (ou apenas sobrevivemos, como é o meu caso) entre vitórias e derrotas do nosso time de coração, renovando esperanças e debatendo lances nem tão polêmicos.
Não se trata, então, de apenas um joguinho de futebol, como os mais irritadinhos céticos esbravejam. Ele é o nosso eterno mundo paralelo. E que bom ainda existir templos que preservem isso.  

Obervações:

1) O Juventus estreou na Copa Paulista com vitória por 1 a 0 contra o Joseense, na Javari.

2) O cannoli foi um dos momentos mais esperados por mim. Desculpem, amigos, mas achei o de creme melhor que o de chocolate (dica da Marina Uezima, inclusive). 

3) Uma das diversões durante o jogo é acompanhar o destino das bolas, que se perdem no trilho do trem, no quintal dos vizinhos ou nas árvores ao redor do estádio.

Atualização (12h20): O Fernando Cesarotti informou que o maior público da primeira rodada da Copa Paulista foi justamente Juventus x Joseense, com  862 pagantes.

Fotos: Marina Uezima (mais fotos no link)

Robinho: novo salvador da pátria santista?

Robinho está perto de jogar pelo Santos pela terceira vez em sua carreira. Pelo que entendi, o Milan está doido para vender o atacante, o Peixe quer contratá-lo de qualquer forma, e o jogador não vê a hora de ser o protagonista de um time outra vez. Para isso, nada melhor que o time da Vila Belmiro, clube onde Robinho ganhou destaque nos gramados pela primeira vez, com 18 anos, e é tratado como ídolo (eterno) desde então.

Órfãos do menino Neymar, os santistas procuram em Robson de Souza uma referência. O atacante de 29 anos virá com a responsabilidade de carregar o Peixe nas costas, tirar a pressão da molecada e acalmar o coração aflito dos torcedores que ainda choram (com razão) pela saída do Neymar.

Minha dúvida é se o Robinho ainda tem futebol para tudo isso. Justamente por essa dúvida que acho altíssimo os valores dessa negociação. O pacote inclui a liberação do Milan, salários, encargos e premiações (com publicidade, por exemplo). O contrato custaria ao Santos aproximadamente R$ 60 milhões em três anos. O presidente do Peixe em exercício, Odílio Rodrigues, já admitiu que o único lucro previsto nessa negociação será visto dentro de campo (com gols, esperamos), já que a perspectiva de retorno financeiro é quase nula.

Resta ao Santos sonhar com o mundo ideal onde Robinho consiga resgatar o respeito e o bom futebol alvinegro. Mas vale lembrar que, assim como o Neymar, o atacante sozinho não consegue conquistar títulos (desculpaê santistas). O retorno de Robinho, para mim, é muito mais uma jogada política do que uma ação pensando no coletivo. Mesmo tentando evitar loucuras para trazer o atacante, parece que o Comitê Gestor quer jogar para a torcida e não ser lembrado como aquele que vendeu Neymar. Ainda assim, acho que a vinda do Robinho agora servirá apenas para acalmar os corações alvinegros.

Aos santistas, recomendo uma reza braba para que a chegada do atleta seja positiva. Será preciso ter paciência com o atacante de 29 anos, já que ele deixou de ser um menino da Vila há algum tempo (mas ainda restam pedaladas, certo?). Que ele consiga empolgar a garotada da base, que faça bons jogos e que o Santos volte a brigar por títulos.

E você, torcedor do Peixe, aprova o retorno de Robson de Souza? O De Chaleira quer saber sua opinião!

Títulos do Robinho pelo Santos:

Campeonatos Brasileiros (2002 e 2004)

Campeonato Paulista (2010)

Copa do Brasil (2010)

Foto: www.paixaocanarinha.com.br

Foto destaque: Antônio Gaudério/Folhapress